terça-feira, 17 de agosto de 2010

O desespero de Eliane Catanhede

Vejam não somente a ressaca da colunista da Folha, mas também seu desespero a procura de alguma ponta solta que possa dar alguma chance para  o Serra.

Óleo

Cantanhede: Última esperança de Serra é Dilma perder voto por causa da exigência de 2 documentos no TSE

Essa aí me deu um calafrio na espinha. Incrível o cinismo desses caras. Eles mencionam a possibilidade de um segmento inteiro da população ser privado de um direito político fundamental, e acham que isso é válido e positivo para garantir uma eventual vitória de um candidato...

Eliane Cantanhede, em sua coluna de hoje, cita a declaração de Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, para lembrar que a exigência de dois documentos, decretada em cima da hora pelo TSE, dirigido por "jênios", pode afetar e mudar o resultado eleitoral deste ano. E fala isso sem a mínima emoção, como se fosse uma coisa normal.

Segue o trecho da coluna em que ela fala dessa possibilidade:

A esta altura, a oposição luta não para ganhar, mas para garantir segundo turno. Se depender só dos programas, é improvável. Mas há outros fatores em jogo, e um deles, como lembra Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, é a exigência de dois documentos para votar - o título de eleitor mais um outro com foto. Isso pode gerar alguma quebra de voto para Dilma no Nordeste e entre a população de baixa renda. Se ela disparar, é bobagem. Mas, se a margem para vencer no primeiro turno for estreita, qualquer tremelique pode fazer diferença.

Com o massacre que se delineia no horizonte, é bem provável que essa exigência não faça diferença nas eleições majoritárias. Mas isso não exime o TSE desta odiosa irresponsabilidade. A lei foi sancionada pelo presidente Lula, e visa combater fraude eleitoral. Mas a sua aplicação para esta eleição é responsabilidade do TSE, que deveria tê-la transferido apenas para 2012, dando tempo ao Estado e aos cidadãos para se adaptarem a mudança.

domingo, 15 de agosto de 2010

Globo acusa o golpe (literalmente?!)

E agora?

Depois da gigantesca repercussão na blogosfera sobre as entrevistas do casal do JN a emissora é forçada a divulgar nota oficial tentando convencer o público de que não é golpista.

Lembro que essa já é a TERCEIRA vez que prestam esclarecimentos em menos de 45 dias pra dizer que "não são".

1º Na Globo News e no Fantástico, ao mesmo tempo, foi lida uma carta onde explicavam que não torciam contra a seleção.

2º No principal programa de esporte, o apresentador vem a público se retratar, explicando que a emissora não tem nenhum preconceito contra o povo do Paraguai.

3º Agora, divulgam nota pra dizer que o telejornal da Globo é imparcial e que o papel do jornalismo global não é levantar nem derrubar nenhum candidato, ou seja, afirmam que não possuem DNA golpista.

Mais do que uma bandeira sem precedentes, o que estamos assistindo é histórico no Brasil, um sinalizador inequívoco dos tempos em que vivemos. Eles não armam e nem mutretam mais nada "impunemente" no nosso país. Distorcem, mentem e manipulam de lá que a gente pressiona, pressiona e pressiona de cá e eles tem que vir a público pra esclarecer tudo.

E quando fazem isso se entregam, claro, pois parafraseando o saudoso Barão de Itararé, do mesmo jeito que quem é não diz que é, quem muito diz que não é na verdade é justamente aquilo que jura de pé junto que não é".

Eu poderia me estender sobre isso, mas prefiro divulgar um trecho da fala do deputado Brizola Neto sobre o assunto, muito pertinente:

"..A Globo tenta desmentir o que todo mundo viu. Aliás, essa é uma tendência da emissora desde que a sua direção foi assumida por Ali Kamel, que se dedica a provar que não existe preconceiro racial no Brasil. Kamel tenta reescrever a história do Brasil e da TV Globo sob sua ótica. Garante que a Globo não ocultou ao máximo a campanha das Diretas Já, que não atuou no caso Proconsult, que tentou roubar de meu avô a eleição a governador do Rio, em 1982, e que não manipulou a edição do debate entre Lula e Collor, em 1989. O diretor da Globo vive no país do faz de conta e acha que alguém acredita nele..."

Eu não resisto e concluo, Ali Kamel, vive sim no mundo mágico de sua ilusão, absorto em seus pensamentos e idéias ultra-conservadoras/reacionárias; completamente distante da realidade do Brasil, do nosso Brasil que mudou e só a Globo não viu..

O padrão Globo de manipular, distorcer e surrupiar a realidade para convencer os leitores e telespectadores mais incautos está com os dias contados e acho, sinceramente, quer eles já começam a perceber isso.

O fato de nunca terem sido forçados a lidar com o contraditório – como agora acontece com a força crescente e inexorável da mídia alternativa eletrônica – os fizeram também descansar e relaxar em suas artimanhas - é só notar como ficam completamente desnorteados, desconfortáveis, perdidos mesmo, quando seus velhos métodos são revelados e repercutidos.

Tenho certeza que seus dias de armações ilimitadas (e impunes) estão contados. Como tenho certeza que não tardará muito ver um Brasil onde cada vez mais e mais pessoas – de qualquer ideologia, cor, raça, crença ou time de futebol - terão vergonha de dizer que leram no Globo, que viram na Globo que ouviram na CBN etc_ pois revelar isso será como passar atestado de ingênuo, desinformado, de tolo mesmo.

domingo, 8 de agosto de 2010

O fator sul e o Ibope

Uma pergunta: se no Rio Grande do Sul a Dilma está na frente, como que ela só tem 5 pontos de vantagem no Ibope? Essa é a questão.

Tijolaço

Cadê o Sul, Datafolha?



Vamos ver qual é a ginástica que vão arranjar para explicar a enorme vantagem que o Datafolha aponta para Serra no Sul do país, depois que a pesquisa Ibope encomendada pela RBS no Rio Grande do Sul apontou liderança de Dilma sobre Serra, com 42 a 40%. Na pesquisa anterior do Ibope medindo as intenções de voto dos gaúchos para a presidência, realizada no início de julho, Dilma tinha 37% e Serra 46%.
É portanto, uma mudança de 13 pontos em um mês, se alguém quiser acreditar que houve uma “virada”. O noticiário dos jornais prefere tratar como “empate técnico” uma mudança de posição que, segundo os dados que eles prórpios divulgam, é das maiores registradas em pesquisas eleitorais: 13 pontos em um mês, repito.
Como a região Sul era a única onde Serra liderava e o Rio Grrande representa 40% do eleitorado sulista, fica difícil explicar de onde vão tirar salvação para o Serra.
Tentei achar a notícia da pesquisa no telejornal local, o RBS Notícias, mas este só divulgou a pesquisa para governador. O Jornal Nacional, cabeça da rede, também não disponibiliza registro da pesquisa, mas traz a uma pequena matéria da ida de Dilma ontem à Central Única de Favelas e do ato com a juventude, no vídeo que posto aí em cima.

sábado, 7 de agosto de 2010

Dunga no São Paulo?

Se fôr verdade, isto é uma ótima notícia, como me manifestei no meu post sobre o Dunga e minha torcida para que possa trabalhar como técnico.

Nassif

 Dunga no São Paulo
Por Gabriel Sitônio
De acordo com o comentarista e repórter JP Flávio Prado, o técnico Dunga, ex-treinador da seleção brasileira, chegará à capital paulista na segunda-feira para assinar contrato com o São Paulo. (Internet)
Também foi um dos comentários de ontem (sexta) na rádio CBN (nacional) e em outras resenhas esportivas daqui de Recife - Pernambuco. Dunga foi sondado pelo São Paulo.
Eu presidente não pensaria duas vezes. É Dunga na cabeça.
(1) não tem nenhum grande técnico disponível.
(2) Os "sem" emprego Tite, Abel Braga, Paulo Atuole (rrss), etc. Será o mesmo do mesmo.
(3) Oxigenar o plantel com conservadorismo.
E queiram ou não queiram. Dunga foi hiper vitoriosso na seleção. E tem muito caldo pra colocar nessa canja futebolística.
Futuramente (acho que breve, 1 ano) vai contrariar muita gente.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Oferta de Lula coincide com suspensão da sentença

tijolaço

O caso de Ashtiani voltará a ser examinado pela Justiça
A intervenção de Lula no caso da iraniana Sakineh Asthtiani, condenada à morte por adultério pelas leis islâmicas, pode ainda não ter tido um desfecho exitoso, mas o pedido que fez mês passado a Mahmoud Ahmadinejad para que permitisse que o Brasil desse asilo a ela coincidiu com a suspensão da sentença de morte por apedrejamento, que voltará a ser analisada pelo Judiciário do país, como conta a Reuters em matéria reproduzida pelo Yahoo.
Não se enganem os que costumam perguntar o que o Brasil foi fazer no Irã sobre a capacidade de Lula de contribuir com o movimento pela libertação de Asthiani. Com sua oferta de asilo, inicialmente recusada por Teerã, Lula criou um fato político e ampliou mundialmente o absurdo da situação, mesmo que sob uma ótica de moral e de costumes diferente da nossa.
A atitude do presidente brasileiro repercutiu em todos os lugares. Os principais jornais do mundo deram amplo destaque à proposta brasileira, o que gerou uma pressão internacional para que o Irã aceitasse a oferta de Lula como gesto humanitário. O apelo do presidente renovou as esperanças da família de Ashtiani que já havia anunciado a disposição de viver no Brasil, conforme reportagem do Estadão, na edição desta terça-feira. A proposta tem o apoio de ativistas que defendem os direitos humanos no Irã, e incentivou inúmeras comunidades internacionais a pedir pela vida da iraniana, de 43 anos, acusada de suposto adultério.
Vamos todos torcer para um final feliz,  mas desde já, embora não fosse essa sua intenção, Lula sai fortalecido do episódio perante a opinião pública das nações que acompanham com preocupação o destino de Ashtiani.
PS: Acho que a vontade de ver salva uma vida fez com que exagerasse na versão anterior desse post. Alertado por uma leitora fiz as correções necessárias a que o tom correspondesse à realidade. A suspensão da sentença já havia sido anunciada por Teerã há alguns dias, na mesma época em que o presidente Lula fez um apelo nesse sentido ao governo iraniano. A gente se engana e não tem nenhum problema em admitir quando faz. Principalmente porque isso aconteceu por um sentimento humanitário.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Já vão tarde, muito tarde

tijolaço

Obama finge que guerra do Iraque vai acabar


A dor da população foi tudo o que os EUA criaram no Iraque
As guerras sempre terminaram com a rendição de uma das partes ou com a fuga das tropas de um dos lados, como aconteceu com os Estados Unidos na guerra do Vietnã. Agora, o presidente dos EUA, Barack Obama, quer criar a guerra com data marcada para terminar, ao dizer que o conflito criado por seu país no Iraque terminará no dia 31 de agosto “como prometido e previsto”.
O que Obama faz é apenas uma figura de linguagem ao considerar que a guerra acaba com a retirada de mais de 90 mil soldados norte-americanos, já que o que deixa para trás é um cenário de permanente conflito, guerra civil iminente, com atentados semanais, que causam muitas baixas, sobretudo entre a população iraquiana.
Obama retira 90 mil soldados, mas mantém 50 mil no que chamada de força de transição, que também tem data para sair, no fim do ano que vem. O objetivo dos EUA é que as forças de segurança iraquianas, por eles treinadas, assumam o controle do país, o que é uma situação de risco explosivo, já que representam um governo títere de Washington, sem o menor respaldo da população.
A guerra do Iraque foi criada pelos Estados Unidos que deslocaram suas tropas até lá sob o pretexto de derrubarem o então presidente iraquiano Saddam Husseim, acusado de ligações com Al Qaeda, a quem se atribui o atentado contra as torres gêmeas de Nova York, em setembro de 2001. Saddam não tinha nenhuma ligação com a AlQaeda e os EUA, na verdade, queriam assegurar o fornecimento e o controle sobre o petróleo do país, que tem a terceira maior reserva mundia comprovada.
O Iraque vive um estado de guerra crônica, com conflitos não resolvidos entre diferentes grupos religiosos e com forte presença de facções radicais islâmicas, como a Al Qaeda, que os EUA pretendiam combater. Obama tenta passar uma situação de aparente tranquilidade e controle sobre o país islâmico, mas basta a leitura diária dos jornais para saber que o Iraque continua sendo um barril de pólvora.

domingo, 1 de agosto de 2010

Registros de Guerra

Estou preparando um longo post sobre o assunto abaixo para os próximos dias, porém este abaixo já é um excelente post.

Boletim H S Liberal


Der Spiegel – Durante a Guerra do Vietnã, o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, afirmou certa vez que Daniel Elsberg, o vazador dos Documentos do Pentágono, era o homem mais perigoso do país. Atualmente, você é o homem mais perigoso ou o mais ameaçado?

Julian Assange – Os homens mais perigosos são aqueles que fazem a guerra. E eles precisam ser parados. Se isso me faz perigoso aos olhos deles, tudo bem.

Este é um trecho da entrevista que Julian Assange, 39, fundador do portal WikiLeaks, concedeu à revista alemã Der Spiegel. Ele fala sobre a sua decisão de publicar os “registros da guerra”, aborda o difícil equilíbrio entre o interesse público e a necessidade de segredos de Estado e revela por que acredita que as pessoas que fazem a guerra são mais perigosas do que ele.

A motivação do WikiLeaks, que promete muito mais revelações indesejadas aos senhores da guerra, são ditas com muita segurança por Assange. Ele espera que a divulgação dos “registros de guerra” no atual momento possa ainda gerar algo de bom. São mais de 90 mil incidentes diferentes, locais geográficos bem definidos, e episódios de variada magnitude. Um conjunto unificado de informações que apagam tudo o que se disse até agora sobre o Afeganistão. “Esses arquivos modificarão o nosso ponto de vista não só sobre a guerra do Afeganistão, mas também sobre todas as guerras modernas”.

Desde 3 de abril deste ano, quando foi divulgado um vídeo que mostra o assassinato de civis no Iraque, WikiLeaks vem colecionando dezenas de milhares de comprometedores documentos da guerra no Afeganistão. No episódio iraquiano, também foram mortos agentes de saúde que recolhiam corpos, além de um motorista e um fotógrafo que trabalhavam para a agência Reuters. Neste domingo, o jornal londrino Guardian destacou, sob o título “Registros de Guerra”, que o vazamento maciço de arquivos secretos expõe a verdadeira face da guerra no Afeganistão, onde “centenas de civis (foram) mortos por soldados da coalizão” de ocupação.

Der Spiegel desta semana traz informações e imagens de um quadro sombrio, em que unidades de “caçadores secretos” são também responsabilizadas por mortes de crianças. A revista alemã fala até em “ingenuidade” da participação das tropas alemãs, diante de “crescentes problemas”. Mais pragmático, o New York Times, embora reconheça que o cenário é mais desanimador que a representação oficial, prefere alertar para os prejuízos das forças de ocupação diante da espionagem. Por essas, analistas começam a ver indícios de fracasso dos Estados Unidos, tanto no Afeganistão quanto no Iraque. É o caso de Ullrich Fichtner, da Der Spiegel.

Diante de toda a perplexidade do cenário desfavorável, as autoridades estadunidenses preferem centrar o foco na busca de informações sobre a responsabilidade pelo vazamento. Preferência que sensibiliza mais os meios de comunicação do lado de cá do Atlântico, não somente nos Estados Unidos. É por isso que vemos pouca repercussão dos “registros de guerra” na mídia brasileira, mais preocupada com um novo bate-boca entre Hugo Chávez e Álvaro Uribe. Entrevero que somente merece maior preocupação se razão tiver o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, que acusa Washington de insuflar Uribe no caminho da guerra contra Chávez.

Os EUA procuram minimizar as revelações dos “registros de guerra”, exibindo outros documentos que falam de um suposto envio de armas iranianas para reforçar a resistência afegã contra a ocupação. Este tema logo invade os espaços da mídia ocidental, tornado-se a cortina de fumaça que Washington queria. E qualquer leitor, ou ouvinte, ou telespectador brasileiro sabe que Irã e Venezuela são os assuntos preferidos de nossos jornalões. Morram quanto civis morrerem, sob mísseis de Israel no gueto de Gaza, ou da OTAN no Iraque e no Afeganistão, nossa lamentável mídia, seus colunistas, seus editoriais, somente têm olhos para Chávez e Ahmadinejad.